quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Por ser “bonita demais” jovem é vítima de violência na escola

Agressões se tornam cada mais vez comuns em todo país

Em um jogo de exigências e exclusões, conceitos de estética criam estereótipos, definem padrões. Também segregam. A exemplo dos inúmeros casos de violência contra meninas “bonitas demais” ocorridos em todo país que se tornam cada vez mais comuns. Na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, Júlia Apocalispse, de 13 anos, foi uma dessas vítimas.
Dentro da Escola Estadual Hélio Del Cístia, a jovem sofreu agressões físicas onde perdeu dois dentes, ganhou hematomas pelo rosto. Ainda sente dificuldades para comer por conta de um inchaço na boca. Sem a intervenção de qualquer funcionário, Julia só recebeu algum amparo quando já encontrava desmaiada. Uma semana depois, não se sente segura para voltar à sala de aula.

Mapa da Violência
Recentemente, outras duas adolescentes foram vítimas de ataques em escolas nas cidades de São Paulo e Florianópolis.

Fonte: https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/por-ser-bonita-demais-jovem-e-vitima-de-violencia-na-escola-relembre-acoes-contra-o-bullying/

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Criança se mata após bullying, e pais divulgam fotos


Pais da vítima tiraram fotos do menino morto, com o intuito de mostrá-las aos agressores. "Nós queremos que eles vejam o que eles fizeram", disse a mãe.

"Se as imagens de Dylan morto forem ajudar a impedir que outras agressões aconteçam, então já teremos conseguido alguma coisa", disse a mãe da criança
Foto: Mirror / Reprodução
Os pais de um garoto de 12 anos publicaram na internet imagens do filho depois de morto. O jovem morreu após se enforcar devido ao bullying sofrido em sua nova escola. Os pais disseram que as imagens servem como alerta a crianças que agridem outras na escola. As informações são do Mirror.
Segundo a publicação, Dylan Stewart era provocado constantemente no colégio Lakeside, em Telford, na zona oeste da Inglaterra, onde teria começado a ter aulas em janeiro deste ano. Em depressão, Stewart se enforcou e foi encontrado por sua mãe Amanda e seu pai Robert, agonizando com uma corda no pescoço, dentro de casa.

Amanda e Robert levaram o jovem a um hospital, onde ele recebeu tratamento. Oito dias depois, sua morte foi declarada. Seus pais tiraram fotos do menino morto, com o intuito de mostrar aos agressores. "Nós queremos que eles vejam o que eles fizeram", disse Amanda.
"Se as imagens de Dylan morto forem ajudar a impedir que outras agressões aconteçam, então já teremos conseguido alguma coisa", disse a mãe da criança. Apesar de os pais terem relatado a agressão à polícia, ninguém foi preso. 

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/crianca-se-mata-apos-bullying-e-pais-divulgam-fotos,ba16394020818410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Professora tenta suicídio duas vezes após agressões de alunos


Ricardo Senra e Renata Mendonça
Da BBC Brasil, em São Paulo

  • BBC Brasil
    A professora Liz*, que diz ter sido atacada diversas vezes por alunos, pediu para não se identificar por medo de represálias A professora Liz*, que diz ter sido atacada diversas vezes por alunos, pediu para não se identificar por medo de represálias
"Dou aula de porta aberta por medo do que os alunos possam fazer. Não dá para ficar sozinha com eles", diz Liz*, professora de inglês de dois colégios públicos da periferia de São Paulo.

Em 15 anos de aulas tumultuadas e sucessivas agressões (de ameaças de morte a empurrões e tapas na frente da turma), a professora chegou a tentar suicídio duas vezes – primeiro por ingestão de álcool de cozinha, depois por overdose de remédios.

"Me sentia feliz quando comecei a dar aulas. Hoje, só sinto peso, tristeza e dor", diz.

A violência contra professores foi destacada por internautas em consulta nas redes sociais promovida pelo #salasocial, o projeto da BBC Brasil que usa as redes para obter conteúdo original e promover uma maior interação com o público.

Em posts no Facebook e no Twitter, leitores disseram que a educação deveria merecer mais atenção por parte dos candidatos a cargos públicos.

Segundo o psiquiatra Lenine da Costa Ribeiro, que há 25 anos faz sessões de terapia coletiva com educadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, o trauma após agressões é o principal motivo de licenças médicas, pânico e depressão entre professores. "Mais do que salários baixos ou falta de estrutura", ressalta.

O problema, de acordo com especialistas consultados pela BBC Brasil, seria resultado da desvalorização contínua do professor, do descompasso entre escolas e expectativas dos alunos e de episódios de violência familiar e nas comunidades.


Lápis afiado
 

A primeira tentativa de suicídio aconteceu assim que Liz descobriu que estava grávida. "Quando vi que teria um filho, fiquei desesperada. Eu não queria gerar mais um aluno", diz a professora, que bebeu álcool de cozinha e foi socorrida pela mãe.

A segunda aconteceu em abril do ano passado, após agressões consecutivas envolvendo alunos da primeira série de uma escola municipal e do terceiro ano do ensino médio de um colégio estadual, ambos na zona sul de São Paulo.

"Começou com um menino com histórico de violência familiar. Ele atacava os colegas e batia a própria cabeça na parede. Um dia, para chamar minha atenção, ele apontou um lápis bem apontadinho e rasgou o rosto de uma 'aluna especial' que sentava na minha frente", relata.

Ela conta que o rosto da aluna, que tem dificuldades motoras e intelectuais, ficou coberto de sangue. "Violência gera violência", diz Liz, ao assumir ter agredido, ela mesma, o menino de 6 anos que machucou a colega com o lápis.

"Empurrei ele com força para fora da sala. Depois fiquei destruída", conta. Na semana seguinte, diz Liz, um aluno de 16 anos a "atacou" após tentar mexer em sua bolsa.

"Ele disse que a escola era pública e que, portanto, a bolsa também era dele. Eu tentei tirar a bolsa, disse que era minha e então ele pulou em cima de mim na frente de todos", relata.

O adolescente foi suspenso por seis dias e voltou à escola. O mesmo não aconteceu com Liz, que pediu licença médica e se afastou por um ano. "Não me matei. Mas não estou convencida a continuar vivendo", diz.


Quadro negro e giz
 

A professora de inglês diz que a gota d'água para buscar ajuda de um psiquiatra foi quando percebeu que estava se tornando "muito severa" com a própria filha, de 6 anos. "Ali eu vi que estava perdendo a vontade de viver", diz. "A violência na escola é física, mas também é moral e institucional. Isso acaba com a gente", afirma.

A educadora diz que, nas duas oportunidades, não procurou a polícia por "saber que nada seria feito e que os policiais considerariam sua demanda pequena perto das outras".

Para a educadora, o modelo atual das escolas estaria ultrapassado, o que tornaria a situação mais difícil. "Na sala de aula, eu dou aula para as paredes. E se o aluno vai mal, a culpa é nossa. Essa culpa não é minha, eu trabalho com quadro negro e giz. Enquanto isso, os alunos estão com celular, tocando a tela", observa.

Em tratamento contínuo, ela diz que está, aos poucos, se afastando do ensino na rede pública. "Dou aulas particulares também. E estes alunos eu vejo crescendo, progredindo", diz.

Abandonar a escola, diz a professora, seria o caminho para resgatar sua autoestima. "A alegria do professor é ver o progresso do aluno. É gostoso ver o aluno crescer. A classe toda tirar 10 é o maior prazer do mundo, vê-los entrando na faculdade é a nossa alegria", diz. "Mas não é isso o que acontece".

*A pedido da professora, o nome real foi mantido em sigilo.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2014/08/25/professora-tenta-suicidio-duas-vezes-apos-agressoes-consecutivas-de-alunos.htm#comentarios

Escolas, alunos e professores '"não falam mesma língua".


Ricardo Senra e Renata Mendonça
Da BBC Brasil, em São Paulo


Quando o assunto é a violência dentro das salas de aula, não parece haver consenso sobre suas principais causas.

Professores, diretores de escolas, alunos e especialistas em educação ouvidos pela reportagem da BBC Brasil apontam para direções diversas, sugerindo que agressões contra educadores seriam fruto do histórico familiar dos alunos, da falta de políticas públicas e policiamento e também de professores mal preparados - e até mesmo agressivos.

A violência em sala de aula contra professores foi um dos temas destacados por internautas em posts de Facebook e no Twitter como um dos que deveria receber mais atenção por parte dos candidatos presidenciais, em uma consulta promovida pelo #salasocial, o projeto da BBC Brasil que usa as redes sociais como fonte de histórias originais.

Enquanto ninguém fala a mesma língua, o MEC (Ministério da Educação) diz não ter dados unificados sobre a violência escolar. Confrontado pela reportagem, porém, o Inep, órgão ligado ao ministério, reconheceu que o tema faz parte da Prova Brasil - avaliação nacional com respostas voluntárias de professores, alunos e diretores. Os últimos dados, de 2011, foram tabulados a pedido da BBC Brasil.

Os resultados apontam que um terço dos professores que responderam ao teste disse ter sido agredido verbalmente por alunos. Um em cada dez afirmou ter sofrido ameaças. Aproximadamente um a cada 50 apanhou de estudantes.

"É simplista culpar crianças e adolescentes por tudo o que acontece", alerta a socióloga Miriam Abramovay, pesquisadora do tema com passagens pela Unesco, Banco Mundial e Unicef.

"A escola tem culpa, porque se isola das comunidades e não se atualiza. E os professores têm péssima formação, simplesmente não conseguem, e muitas vezes nem tentam, conquistar os alunos", diz. "No fim, todos são vítimas."

Descompasso
 

Para pesquisadora, a desvalorização do ensino resumiria este descompasso. "A estrutura das escolas parou no século 19, os professores dão aulas como no século 20 e os alunos, sempre conectados, vivem no século 21", diz. Ela afirma que as escolas vivem um "processo de abertura" há 50 anos.

"Se antes havia pouco espaço para as classes populares, hoje a escola se massificou. Todos entram - nem sempre continuam, mas entram. Mas a relação professor–aluno não mudou nada nesse meio tempo e os educadores não sabem lidar com esse novo interlocutor, que antes estava na rua, do lado de fora", diz.

Abramovay diz que a violência não é consequência direta do entorno. "Há escolas em bairros tremendamente violentos que têm resultados satisfatórios. E colégios particulares, ricos, com problemas enormes", observa.

A pesquisadora aponta o trabalho participativo, envolvendo pais e alunos na construção de regras e do currículo escolar, como caminho para reduzir a resistência e a agressividade. "Os muros das escolas não são simbólicos", afirma. "Eles são reais, ninguém penetra ali. Assim, a escola não é nem protegida, nem protetora", diz.

O educador Jorge Werthein, presidente da Unesco no Brasil entre 1996 e 2005, também diz que a escola "precisa ser acolhedora" e critica a formação dos colegas.

"Diferente do médico, que faz residência, a maioria dos professores que se forma não tem nenhuma experiência em sala. Só pisam lá no primeiro dia, encontram coisas que nunca viveram e não sabem lidar", diz.

Para Wherthein, os educadores precisam se dar conta "da violência que eles próprios exercem sobre os alunos". "Perseguição, homofobia e exageros nas repreensões" seriam exemplos. "Outra agressão simbólica é o abismo tecnológico que existe entre professores e alunos", diz.

Celular

Com um olho no smartphone e outro no repórter, os alunos entrevistados parecem concordar com a avaliação. "Parece que eles vivem fora do tempo. O professor pede para a gente copiar a lição do quadro, mas eu podia tirar uma foto com o celular e prestar atenção no que ele diz", reclamou uma estudante da 8º ano de uma escola em Diadema, ao sul de São Paulo.

A seu lado, espinhas no rosto e sorriso tímido, um adolescente do ensino médio completa. "Sei que celular pode atrapalhar. Não é para usar Facebook e Whatsapp na aula. Mas quando ajuda, por que não, né?", questiona.

Eles reconhecem que as agressões são constantes. "Na semana passada a professora chamou a atenção de um aluno bagunceiro e ele perguntou se ela não tinha medo de morrer. Ela deu risada e continuou passando a lição", contou uma estudante do 1º ano do ensino médio.

"Tem brigas combinadas também. Os alunos fingem estar dando porrada para o professor vir separar e apanhar também", completou. Professores ouvidos pela reportagem disseram que a escola, hoje, seria "um espaço de conflito".

"Os professores não são santos que caíram do céu e vêm educar com toda a candura. Sempre que passo pelo pátio me chamam de vagabunda. O educador tenta legitimar a sua autoridade, não consegue, e aí revida", disse uma ex-professora da rede pública, que não quis se identificar.


Eleições

Para Wherthein, é uma tradição que a violência contra professores e alunos não faça parte da agenda dos principais candidatos a cargos políticos. "A agenda da educação é genérica. 'A educação é importante'... 'Vamos aumentar os investimentos e a carga horária'... 'País bom é país educado'. Nunca nada é objetivo", critica.

O pesquisador afirma que o cotidiano das escolas, ponto crucial na discussão, passa à margem do discurso político.

"Educação e segurança estão sempre no topo das preocupações do eleitorado. Mas os candidatos não entenderam que há cruzamento entre estes temas. Num país como o Brasil, com taxas de morte tão altas (somos um país sem guerra), os conflitos são resolvidos sempre de forma violenta. Dentro da escola inclusive. Então a violência na escola não é algo que vem só da vizinhança, das famílias, é algo que faz parte da nossa sociedade e aparece em todos os setores", diz.

Wherthein diz que uma "nova cultura da solução não-violenta de conflitos" deve ser construída dentro das escolas.

"O caminho não é, portanto, aumentar os mecanismos de repressão, mas aumentar a prevenção por meio da educação e da disseminação de uma cultura pacífica. Escolas e universidades têm que discutir violência! Só assim se transforma as coisas - e essa responsabilidade está nas mãos dos candidatos", afirma.

Fonte:http://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2014/08/25/escolas-alunos-e-professores-nao-falam-mesma-lingua.htm

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Prof. Marcelo Clemente, ministra Conferências em Boa Vista - Roraima

Em agosto deste ano, A FAEL de Boa Vista promoverá encontros para oportunizar a jovens estudantes, a chance de participarem de palestras motivacionais, que visam a troca de experiências e agregam valor e conhecimento.
Com o tema “Desenvolvimento Pessoal e Profissional – Chaves para uma vida de sucesso”, as conferências têm o objetivo principal de incentivar os jovens a iniciarem o ensino superior, em busca de oportunidades de crescimento profissional e melhoria da qualidade de vida.

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“Com caráter motivacional, as palestras também serão centradas em gestão de mudanças, visando à reflexão da vida dos jovens participantes, no sentido de darem, efetivamente, um passo rumo à construção de um futuro comprometido com excelência e crescimento pessoal e profissional”, explica Shirlene Mota, parceira do polo.
Além disso, os eventos também visam a autodescoberta e a identificação de habilidades e interesses, facilitando o planejamento dos projetos de vida.
Para proporcionar estes importantes momentos, o polo FAEL de Boa Vista convidou o professor universitário Marcelo Clemente, para ministrar as palestras, que serão totalmente gratuitas.
Clemente é pedagogo, psicopedagogo Clínico e Institucional e mestre em Educação e Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), além de ser um experiente palestrante, com vivência no universo acadêmico e corporativo e atuação no desenvolvimento de cursos e oficinas do Senac de São Paulo.
As palestras serão realizadas nos seguintes dias e horários:
  • Sexta – 15/08, às 19h, no Aipana Plaza Hotel (Praça Centro Cívico 974), localizado no centro de Boa Vista.
  • Sábado – 16/08, às 9h, na FAEL de Boa Vista (Avenida Mário Homem de Melo 1101), localizada no bairro Mecejana.
Os interessados em participar do encontro devem realizar suas inscrições no portal da FAEL, pelo endereço: www.fael.edu.br/eventos/boavista
Jaqueline Moreira/Virgilius Ceccon

Fonte: http://www.fael.edu.br/noticias/fael-de-boa-vista-realizara-palestras-motivacionais/

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Como vencer o bullying

Como vencer o bullying.


Um terço dos adolescentes brasileiros diz sofrer de agressões e intimidações na escola.

Conheça alguns projetos para combater o problema que estão dando certo no Brasil e no exterior.

Claudia Jordão

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ESTRATÉGIA
Para atacar o bullying, primeiro é preciso saber identificá-lo
Isolado pelo grupo, o aluno não participa dos jogos e brincadeiras. Está sempre sozinho, é alvo de piadinhas jocosas, apelidos maldosos e, às vezes, apanha mesmo. Não é difícil reconhecer uma vítima de bullying, a criança ou adolescente que sofre violência física ou psicológica de forma constante e intencional por parte dos colegas. A prática está disseminada nas escolas, tanto no Exterior quanto no Brasil, e causa grande sofrimento para os alunos – gera ansiedade, pânico, insônia, cefaleia, entre outros – e para seus pais. Cerca de um terço dos estudantes do nono ano do ensino fundamental de 6.780 escolas do País, ouvidos para uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado, declarou sofrer bullying. O grande desafio de educadores, escolas e famílias é vencê-lo. Alguns projetos pioneiros indicam possíveis caminhos. Estudos científicos e experiências bem-sucedidas sugerem três vertentes a serem trabalhadas com os jovens: a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, a resiliência, a habilidade de reagir positivamente a uma situação adversa, e a criatividade, uma forma de canalizar o impulso agressivo para algum talento.
O primeiro passo, porém, é reconhecer que o fenômeno existe. “Pais e educadores não sabem diferenciá-lo de outros conflitos, não entendem que cada criança lida de maneira diferente com a violência e que muitas precisam de ajuda”, diz o psicólogo escolar e estudioso de bullying David Hornblas. Uma discussão aqui, um empurrão ali nem sempre são sinais do problema. O que faz a diferença é a intenção e a repetição das agressões. “Hoje em dia, tudo virou bullying, qualquer briguinha com um colega é justificada dessa forma”, diz Miriam Tricate, diretora do colégio Magno, em São Paulo. Para separar o joio do trigo, a escola promove encontros do corpo docente com psicólogos para que os episódios de bullying sejam identificados. Segundo Miriam, de cada dez casos trazidos pelos pais, apenas dois configuram a prática. Uma vez identificado o problema, parte-se para a ação. “Procuramos dar espaço para aquele aluno tímido que vive isolado mostrar o seu talento naquilo que gosta, por exemplo. Dessa forma, melhoramos a sua autoestima e a imagem dele para o grupo”, diz a diretora.
Ironicamente, no Brasil, as escolas públicas parecem estar mais bem preparadas para enfrentar o problema do que as particulares. A opinião é da psiquiatra e autora do livro “Bullying – Mentes Perigosas nas Escolas”, Ana Beatriz Barbosa Silva. “As públicas seguem o protocolo do Ministério da Educação”, diz Ana. “Casos de violência são registrados e encaminhados para o Conselho Tutelar, que vai até lá, apura e envolve educadores, pais e vítima na solução do problema.” Enquanto isso, muitas particulares ainda acreditam que admitir a existência de bullying é fazer marketing negativo. Além disso, quando reconhecem o problema e resolvem agir, nem sempre encontram apoio dos pais do aluno agressor – e, com medo de perdê-lo, têm dificuldade de agir. “Sempre recomendo aos pais: na hora de definir a escola do filho, não escolha a que não tem bullying, porque isso não existe. Escolha aquela que admite a existência e que mantém algum programa de prevenção e combate”, diz Ana, autora de uma cartilha anti-bullying recém-lançada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A Escola Estadual Melvin Jones, em Caxias do Sul (RS), usa a informação e o conhecimento como estratégia. No ano passado, as alunas do segundo ano do ensino médio, Edilene Antonelo Claudino, 17 anos, e Maruska Guarda da Silva, 16, desenvolveram um programa anti-bullying para ser aplicado aos alunos do quinto ano do ensino fundamental, baseado em palestras informativas e encontros entre pais e professores. “Os casos de bullying caíram pela metade só pelo fato de o discutirmos e mostrarmos que é errado”, diz a professora Jordana Montanari, orientadora do projeto das jovens. Edilene e Maruska sofriam com apelidos pejorativos – a primeira por ser baixa e a segunda por estar acima do peso. “Escolhemos crianças do quinto ano porque é nessa fase que as meninas engordam e os meninos ficam com a voz grossa, o que aumenta os conflitos”, diz Edilene.
Na última década, o ambiente fértil da internet fez prosperar uma forma nova de intimidação, o cyberbullying. “Protegidos pelo anonimato, os jovens fofocam, denigrem e humilham”, diz a psiquiatra Ana. “E as agressões permanecem eternamente no mundo digital, dificultando a cicatrização de feridas.” Pedir reparação na Justiça é uma alternativa que começa a ganhar visibilidade. No ano passado, um juiz de Minas Gerais determinou que os pais de um garoto que insultava a colega pagasse R$ 8 mil a ela por danos morais. Além disso, alguns governos estão tomando providências. Pelo menos quatro cidades brasileiras (Porto Alegre, Novo Hamburgo, Curitiba e Campo Grande) e o Estado de Pernambuco têm leis anti-bullying – São Paulo debate o projeto na Câmara de Vereadores. As escolas dessas localidades são obrigadas a manter um programa de combate ao problema e treinar professores para identificar e lidar com a questão.
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BEBÊ A BORDO
Convivência da classe com o neném reduziu os casos de bullying à metade
A melhor alternativa, porém, é sem­pre prevenir. Orientador educacional do Centro Educacional Pioneiro, de São Paulo, o psicólogo escolar Hornblas foi contratado para desenvolver um projeto anti-bullying. Ele é membro da organização britânica de combate à violência nas escolas United Kingdom Bullying e adaptou no Pioneiro um modelo de sucesso internacional. O primeiro passo é sensibilizar os estudantes para a questão. Em 2010, crianças entre 6 e 13 anos assistiram a filmes, ouviram palestras e debateram o tema. Neste ano, na segunda fase do projeto, os alunos irão participar de concursos de redação e da criação de cartazes sobre a violência nas escolas. Os melhores trabalhos serão distribuídos e espalhados pelas imediações da instituição, como forma de chamar a atenção para o problema. Na Grã-Bretanha, os cartazes feitos pelos alunos são afixados nas estações de metrô no entorno das escolas.
“Pesquisas mostram que, na Inglaterra, esse programa reduziu em 40% os casos de bullying de maneira instantânea”, diz Hornblas.
Diferentemente do Brasil, países como Inglaterra, Estados Unidos e Austrália já passaram da fase de reconhecer o problema e estão implementando uma gama de projetos. Muitos têm se mostrado eficazes e podem ser replicados em qualquer escola do mundo, com algumas adaptações. O foco é sempre o lado emocional da criança. Desenvolvido no Canadá e presente na Inglaterra e Nova Zelândia, o programa Raízes da Empatia, por exemplo, promove esse sentimento de solidariedade entre as crianças de 5 a 13 anos na convivência com um bebê. Durante nove meses, uma vez por mês, o neném vai à classe. Eles tentam entender os sentimentos dele, imitam seus movimentos e vivenciam sua dependência. Os resultados logo aparecem. Na presença dos bebês, a criança tímida perde a vergonha, a agitada se acalma e a fechada abre sorrisos. Na província canadense de Manitoba, onde a dinâmica acontece em 300 salas de aula, um estudo constatou que, ao fim do ano letivo, a incidência de bullying caiu quase à metade, de 15% para 8%.
Em São Paulo, o colégio Magister também acredita no poder da empatia para formar crianças mais doces e respeitosas. No sétimo ano do ensino fundamental, os alunos participam de uma dinâmica de grupo cujo objetivo é fazê-los se colocar no lugar do aluno que sofre com gozações, apelidos e agressões. Cada estudante recebe um adesivo com um apelido escrito, que é colado às costas. O aluno em questão não sabe qual é o rótulo, mas passa a ser tratado pelos amigos como tal. Após 15 minutos, todos são chamados a discutir o que vivenciaram. “A maioria relata que se sentiu muito mal, envergonhado, triste”, conta Angela Borges, coordenadora do Magister. “Assim, pensam duas, três vezes antes de praticar alguma agressão contra um colega”, diz.
Na Austrália, a estratégia escolhida foi fortalecer a resiliência, a habilidade de reagir de maneira positiva em situações adversas. Incentivados pelo governo local, que enquadrou o bullying como questão de saúde pública, educadores, psicólogos e neurocientistas desenvolveram projetos para ser aplicados na escola e em casa. Neles, educadores, pais e alunos são treinados para se tornar mais tolerantes às adversidades e para tirar o melhor das piores situações. Para se tornar resiliente, a criança precisa ter autoestima elevada e independência. Para tanto, precisa ser ouvida e respeitada, além de ser desafiada a resolver com criatividade os próprios problemas. No Brasil, o Instituto Glia lançou o Projeto Atenção Brasil – um Retrato Atual da Criança e do Adolescente no Brasil. Trata-se de uma cartilha destinada a educadores sobre bullying, saúde mental e a importância de se educar para a resiliência. O ma­terial traz dicas de como desenvolver a ha­bilidade e pode ser baixado gratuitamente pelo site (http://www.aprendercrianca.com.br/).
Estimular a criatividade é outro caminho para combater o bul­lying. “Os jovens, algozes ou vítimas, precisam de estímulos para direcionar sua agressividade para algo positivo”, diz a psiquiatra Ana. A ideia é auxiliar as crianças a focar em seus talentos e potenciais, em vez de deixá-las extravasar nos colegas ou permanecer isoladas, sem vida social e com tempo de sobra. “Quando faz o que gosta, aquilo no qual é bom, o adolescente melhora a sua autoimagem e a sua autoestima”, diz Silvia Viegas, coordenadora da Escola Viva, de São Paulo. O estímulo também pode ser dado em casa. “Pintem, façam colagens, ouçam músicas, montem uma peça de teatro. Mostrem possibilidades e avaliem os potenciais”, sugere Ana, para quem os pais deveriam dedicar um fim de semana por mês às atividades artísticas com os filhos.
Vencer o bullying implica travar uma longa guerra, com muitas batalhas, na qual educadores e pais devem unir forças, trocando informações e alinhando o discurso, além de acompanhar de perto a criança, seja vítima ou agressora. A conduta de uma diretora de uma escola pública de Campo Grande no Rio de Janeiro, que conseguiu integrar um aluno transexual que assumiu a sua condição e passou a frequentar a escola vestido de mulher, serve de exemplo. Para conseguir esse feito, a diretora convocou os alunos e expôs a situação do garoto, que sofria com o alcoolismo do pai, com a insanidade da mãe e com a pobreza. Ao partilhar informações, conseguiu a empatia dos alunos. O episódio também é um exemplo de resiliência (por parte do aluno) e de criatividade (por parte da diretora). Por isso, é uma história com final feliz.
Por isso, é uma história com final feliz.
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Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/131156_COMO+VENCER+O+BULLYING 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

França lança campanha contra "bullying" nas escolas e redes sociais

França lança campanha contra "bullying" nas escolas e redes sociais

Nova campanha nacional contra o "bullying"
Nova campanha nacional contra o "bullying"
Flickr/ Creative Commons

Adriana Moysés
O governo francês lança hoje uma campanha nacional contra o "bullying" de crianças e adolescentes nas escolas e na internet, um fenômeno que ultrapassou as quadras de recreação e já provocou o suicídio de vários menores nos últimos tempos. A campanha alerta contra as humilhações veiculadas nos celulares e nas redes sociais, principalmente no Facebook.

ministério francês da Educação quer estimular professores e pais a agir contra o "bullying" (do inglês bully = “valentão”) e ao mesmo tempo incentivar os adolescentes a romper o silêncio. Os vídeos da campanha, feitos dentro de salas de aula, mostram crianças e adolescentes que passaram pelo problema. Eles dizem que preferiam ter sido protegidos e que a comunidades educativa, os pais e testemunhas podem e devem ajudar as vítimas.
Mais da metade das agressões observadas na França envolvem adolescentes de 12 a 14 anos, sendo que as meninas são as primeiras vítimas. As formas de assédio mais comuns são a publicação de fotos íntimas dos jovens sem o seu consentimento na internet, comentários ofensivos sobre a aparência física dos estudantes, xingamentos e outros insultos verbais, além de agressões físicas intencionais e repetitivas. Muitas vezes o "bullying" acontece sem motivação evidente, mas causa dor, angústia e até atitudes desesperadas como o suicídio dos jovens.
Os alunos que testemunham o "bullying" convivem com a violência e frequentemente se calam com medo de se tornar as “próximas vítimas” do agressor. Segundo especialistas,
as crianças ou adolescentes que sofrem "bullying" podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima.
Na França, os professores são acusados de passividade diante do fenômeno. Especialistas reconhecem que as fronteiras entre a escola e a vida familiar são porosas. Uma briga que começa na escola pode continuar até a madrugada na cama do adolescente, nas mensagens de celular e redes sociais. Os pais, que poderiam exercer um papel fundamental de proteção, muitas vezes desconhecem a situação.
Os dados sobre o número de alunos franceses vítimas de "bullying" varia, segundo a fonte. A ensaísta Catherine Blaya, autora de uma síntese internacional sobre as atitudes de risco e a violência dos adolescentes na internet, calcula que 6% dos estudantes franceses são vítimas de "bullying" no espaço virtual. A associação "E-Enfance" (e-infância), que propõe uma plataforma de escuta para as jovens vítimas e faz um trabalho de sensibilização nos colégios, afirma que há dois anos o "bullying" atingia 15% da população escolar do ensino médio e hoje pulou para 22%.

Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/franca/20131126-franca-lanca-campanha-nacional-contra-bullying-nas-escolas-e-redes-sociais