segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

França lança campanha contra "bullying" nas escolas e redes sociais

França lança campanha contra "bullying" nas escolas e redes sociais

Nova campanha nacional contra o "bullying"
Nova campanha nacional contra o "bullying"
Flickr/ Creative Commons

Adriana Moysés
O governo francês lança hoje uma campanha nacional contra o "bullying" de crianças e adolescentes nas escolas e na internet, um fenômeno que ultrapassou as quadras de recreação e já provocou o suicídio de vários menores nos últimos tempos. A campanha alerta contra as humilhações veiculadas nos celulares e nas redes sociais, principalmente no Facebook.

ministério francês da Educação quer estimular professores e pais a agir contra o "bullying" (do inglês bully = “valentão”) e ao mesmo tempo incentivar os adolescentes a romper o silêncio. Os vídeos da campanha, feitos dentro de salas de aula, mostram crianças e adolescentes que passaram pelo problema. Eles dizem que preferiam ter sido protegidos e que a comunidades educativa, os pais e testemunhas podem e devem ajudar as vítimas.
Mais da metade das agressões observadas na França envolvem adolescentes de 12 a 14 anos, sendo que as meninas são as primeiras vítimas. As formas de assédio mais comuns são a publicação de fotos íntimas dos jovens sem o seu consentimento na internet, comentários ofensivos sobre a aparência física dos estudantes, xingamentos e outros insultos verbais, além de agressões físicas intencionais e repetitivas. Muitas vezes o "bullying" acontece sem motivação evidente, mas causa dor, angústia e até atitudes desesperadas como o suicídio dos jovens.
Os alunos que testemunham o "bullying" convivem com a violência e frequentemente se calam com medo de se tornar as “próximas vítimas” do agressor. Segundo especialistas,
as crianças ou adolescentes que sofrem "bullying" podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima.
Na França, os professores são acusados de passividade diante do fenômeno. Especialistas reconhecem que as fronteiras entre a escola e a vida familiar são porosas. Uma briga que começa na escola pode continuar até a madrugada na cama do adolescente, nas mensagens de celular e redes sociais. Os pais, que poderiam exercer um papel fundamental de proteção, muitas vezes desconhecem a situação.
Os dados sobre o número de alunos franceses vítimas de "bullying" varia, segundo a fonte. A ensaísta Catherine Blaya, autora de uma síntese internacional sobre as atitudes de risco e a violência dos adolescentes na internet, calcula que 6% dos estudantes franceses são vítimas de "bullying" no espaço virtual. A associação "E-Enfance" (e-infância), que propõe uma plataforma de escuta para as jovens vítimas e faz um trabalho de sensibilização nos colégios, afirma que há dois anos o "bullying" atingia 15% da população escolar do ensino médio e hoje pulou para 22%.

Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/franca/20131126-franca-lanca-campanha-nacional-contra-bullying-nas-escolas-e-redes-sociais

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

V SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA – IFSP

Serei um dos Preletores. Estão todos convidados!
V SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA – IFSP
TEMA: A TEORIA E A PRÁTICA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR: DILEMAS E DESAFIOS.
De 21 a 23 de outubro de 2013.

Local: 
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA – IFSP - Campus São Paulo
Rua Pedro Vicente, 625 – Canindé/SP

PÚBLICO ALVO: Alunos das licenciaturas e dos demais cursos superiores, alunos da Pós-graduação em Formação de Professores, profissionais da área.

PROGRAMAÇÃO

Dia 21 de outubro (segunda-feira).
Auditório Alvo Ivo de Vicenzo.

19h00 – 19h30min Abertura
Prof. Me. Luís Cláudio de Matos
Diretor Geral do Campus São Paulo

19h30 – 20h30min Palestra 1
Aprendizagem da docência: o espaço da teoria e da prática no atendimento escolar hospitalar

Profa. Dra. Amália Neide Covic
Graduada em Física pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Física Médica PUC/SP, Mestre e Doutora em Educação (Currículo) PUC/SP. Atualmente é Coordenadora e Formadora de Professores para atuação em Atendimento Escolar Hospitalar no Instituto de Oncologia Pediátrica - Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer - Universidade Federal de São Paulo, docente permanente do Programa de Pós-graduação em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência da UNIFESP/Campus Guarulhos.

20h30min – 22h00 Palestra 2
Bullying escolar – O gigante está adormecido? Reflexão, realidade e ações preventivas.

Prof. Me. Marcelo Clemente
Mestre em Educação e Saúde na Infância e Adolescência pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Pedagogo com especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
http://obullyingnasescolas.blogspot.com.br/
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Dia 22 de outubro (terça-feira).
Auditório Aldo Ivo de Vicenzo.

8h30min – 8h30min Palestra 1
Formação do professor: Perspectivas contemporâneas

Prof. Me. Leandro Tadeu Luz – IFSP
Licenciado em Letras e Especialista em Educação pela UFMS. Mestre em Estudos da Linguagem pela UEL e Doutorando em Língua Portuguesa pela PUC/SP. Pesquisa a formação do professor de línguas, especificamente as crenças de professores em formação inicial sobre leitura e escrita. É professor do IFSP.

9h30min – 10h30min Palestra 2
Professor homem na Educação Infantil – uma identidade em construção?

Psicóloga Me. Maria Arlete Bastos Pereira
Graduada em Psicologia pela Universidade São Francisco. Mestre em Educação e Saúde na Infância Adolescência pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Atua como Psicóloga Escolar, na Divisão Técnica de Políticas para Diversidade e Inclusão Educacional da Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos.

10h30min – 11h30min Palestra 3
Professores e seus relatos de experiência. Distâncias entre teoria educativa e prática escolar: o caso da São Paulo redemocrática.

Profa. Me. Suzana Iris Bezerra
Historiadora pela UNESP, Mestre em Educação e Saúde na Infância e Adolescência pela UNIFESP e Doutoranda na mesma área. Dedicou-se ao estudo da adolescência em situação de pobreza urbana, periódicos educacionais e relações institucionais entre governo e professorado. Integra o Grupo de Pesquisas e Estudos sobre a Infância e a Adolescência GRUPESCI, do Laboratório de Estudos de Vulnerabilidades Infantis –LEVI.

12h00 – 13h00 – Intervalo (almoço)

13h30min - 18h00 Auditório SP1
Comunicação oral coordenada.
Apresentação de trabalhos científicos e relatos de prática.
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Dia 23 de outubro (quarta-feira).

14h00 – 17h00 Sala 333
Oficina - Comunicação Corporal

Prof. Me. Fredyson Hilton da Cunha
Licenciado em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso/UFMS e Doutorando em Artes da Cena pela UNICAMP. É Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo - IFSP. Tem experiência e interesse na pesquisa em danças brasileiras, dança contemporânea e criação coreográfica. Formação de bailarino em dança clássica, contemporânea e dança-teatro.

18h00 – 21h00 Auditório da Eletrônica
Comunicação oral coordenada.
Apresentação de trabalhos científicos e relatos de prática.

Organização:
Coordenação da Pós-Graduação Lato Sensu em Formação de Professores – IFSP/ Campus SP.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Workshops e Palestras sobre Bullying e Mobbing (assédio moral no trabalho), com o Prof. Marcelo Clemente.

Workshops e Palestras sobre Bullying e Mobbing (assédio moral no trabalho), com o Prof. Marcelo Clemente.

Informações: marcelorhema@gmail.com

Brasileiros que estudam no Japão relatam perseguições de colegas e professores;inabilidade do sistema escolar em lidar com as diferenças afeta os próprios japoneses, em uma sociedade que prioriza o grupo ao indivíduo

Brasileiros que estudam no Japão relatam perseguições de colegas e professores



Corbis
Alunos na escola primária de Honkawa: cerca de dez mil estudantes brasileiros estão matriculados nas escolas públicas japonesas

Era uma data especial na escola de Akiko Uehara, 12, em Kiryu, interior do Japão. Os pais visitavam seus filhos no 5º ano do ensino fundamental para acompanhar o dia a dia da sala de aula, numa das atividades mais esperadas pelos alunos japoneses de todo o país. Até que entrou a mãe de Akiko e o burburinho começou: "olha só, uma ''''gaijin''''!". A palavra pejorativa, que significa "estrangeiro", marcava a origem filipina da mãe de Akiko. Começava ali uma série de perseguições e ofensas contra a menina por alguns dos colegas.
Cerca de um ano depois, no dia 23 de outubro de 2010, Akiko enforcou-se. Os pais decidiram levar o caso a público para evidenciar uma falha grave de um sistema educacional conhecido mundo afora justamente pela competência. A inabilidade para lidar com a diferença gera rejeição aos estudantes estrangeiros por parte dos colegas e, muitas vezes, pressão dos próprios educadores em relação aos alunos imigrantes.

Problema comum
Este é um problema frequente na vida dos cerca de dez mil estudantes brasileiros matriculados nas escolas públicas do país (o maior grupo, seguido por chineses e filipinos). "Quando eu era criança, o diretor chamou meu pai na escola para falar sobre o meu cabelo cacheado. Ele queria que eu alisasse para ficar igual ao das outras crianças", conta Daiane Oshiro, 25, que cursou o ensino básico e universitário no Japão. Nos países do leste asiático, que incluem também Coreia e China, a sociedade costuma colocar o grupo à frente do indivíduo - de acordo com o pensamento confucionista, trata-se de uma garantia de harmonia social. O lado negativo é que há pouco espaço para o diferente, atitude que acaba corroborada pelo sistema educacional.
A palavra japonesa "ijime", o mesmo que "bullying" em inglês, é uma das primeiras a entrar para o vocabulário dos brasileiros que chegam ao Japão para trabalhar. As histórias de maus-tratos contra estrangeiros nas escolas, oriundas da rejeição à diferença, correm a comunidade, que hoje tem cerca de 200 mil pessoas, mas já chegou a picos de quase 400 mil. Nos casos mais comuns, as crianças ouvem ofensas como "Caia fora do Japão! Vá embora pro Brasil!". Qualquer coisa pode ser motivo para gozação - desde falar japonês com sotaque até ter hábitos alimentares diferentes. Morena e de olhos nada puxados, Daiane conta que teve problemas para ser aceita pelos colegas. "Eu sofria maus-tratos e não tinha como contar para o meu pai, que só falava umas poucas palavras em japonês. E ele não tinha como se comunicar com a escola", relata ela, em português fluente que só foi aprender na adolescência.
Alunos japoneses com algum traço diferente também sofrem. Estar acima do peso ou ter algum problema de saúde evidente são causas comuns para o bullying. Em 2012, o Ministério da Educação registrou 70 mil casos em todo o país. Muitas histórias, no entanto, são mantidas em silêncio por vergonha ou medo de retaliação. Em geral, os nipônicos evitam a exposição pública a qualquer custo, o que leva muitos jovens a sofrerem calados. Outros casos, como o de Akiko, tornam-se públicos pelo fim trágico.  Em 2009, um estudante de 14 anos, que sofria de problemas alérgicos, suicidou-se ateando fogo ao próprio corpo após ser perseguido pelos colegas.
Violência "educativa"Em 2005, o Ministério da Educação lançou uma cartilha com conceitos e dados sobre o "ijime" - um marco importante, já que a educação pública japonesa é fortemente centralizada no órgão nacional. "No entanto, ações assim não incluem a conscientização sobre racismo ou sexismo que tornam imigrantes, minorias e garotas alvos fáceis", contrapõe Cheiron McMahill, professora na Universidade Daito Bunka, em Tóquio.
Há ocasiões em que os próprios educadores causam a humilhação - o que foge à esfera do bullying ou ijime, referente apenas à agressão entre pares. Em 2012, na antevéspera do Natal, um garoto de 17 anos, em Osaka, enforcou-se após levar tapas na cara do treinador de basquete. Muitas agressões assim por parte de professores ainda hoje não são associadas pelos educadores a atos de violência, consideradas medidas de caráter educativo - em outras palavras, acredita-se estar fazendo um bem para o aluno. "Na escola de minha filha, foi feita uma campanha de prevenção contra o problema. Ao mesmo tempo, o professor de educação física constantemente enchia o saco de um gordinho, e outros professores seguiam a mesma linha, dando tapas na barriga dele, fazendo piadas na frente de outras crianças. Eles acreditavam que isso funcionaria como incentivo para que ele perdesse peso", diz Cheiron.
Ações de combate
No caso dos estrangeiros, as ações para combater a discriminação ocorrem geralmente por iniciativa das prefeituras. Dentro e fora das escolas são realizados projetos para integração com os japoneses e festas de intercâmbio multicultural. Também são contratados intérpretes para ajudar as crianças nas aulas. Há casos em que a diferença cultural pode até pesar a favor - brasileirinhos bons no futebol, por exemplo, costumam ganhar o respeito dos colegas.
É pouco, no entanto, para dar conta de banir a discriminação, que está relacionada às próprias características do movimento migratório dos brasileiros ao Japão. As ações ignoram, por exemplo, que muitas crianças são nascidas no Japão e mal conhecem o Brasil. A falta de fluência em japonês - uma das principais dificuldades - às vezes se mantém pela vida toda. Além disso, o apoio após o ingresso na escola costuma durar somente algumas semanas ou meses e é dado por profissionais sem treino específico para a função, encarregados de fazer as crianças assimilarem os valores da escola japonesa o mais rápido possível. A situação só começou a mudar quatro anos atrás, com o oferecimento de curso on-line de graduação em pedagogia voltado a brasileiros que lidam com educação no Japão, elaborado pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), com apoio do MEC e a universidade japonesa Tokai. "Muitas vezes os pais ficam encantados ao verem seus filhos falando japonês após algum tempo na escola, mas se chocam quando veem as notas baixas", explica Erica Muramoto, aluna do curso da UFMT e responsável pelo curso de adaptação da cidade de Tamamura, província de Gunma, uma das que mais concentram brasileiros. Ela avalia que são necessários de cinco a sete anos para dominar a língua em nível adequado para acompanhar bem os estudos. O resultado é a alta evasão de brasileiros ao fim do ensino fundamental, e às vezes até antes. Segundo a legislação local, apenas crianças japonesas têm obrigação de estarem matriculadas nas escolas.
Migração pendularA distância que os jovens têm da família é mais um fator agravante. Para se adaptar mais rápido à escola, os estudantes precisam muitas vezes deixar de lado a cultura brasileira e a língua portuguesa, que frequentemente é a única falada pelos pais. Além disso, as condições de trabalho extenuantes nas fábricas, às vezes com turnos de até doze horas diárias, tornam raros os momentos juntos com os filhos. "A criança fica sozinha, sem ter a quem recorrer no caso de um problema", afirma Mary Okamoto, professora de psicologia na Unesp e responsável por um programa que levou um trio de psicólogas brasileiras ao Japão para dar assistência às crianças ao longo de três meses.
Os especialistas são unânimes: aprender a língua japonesa e entender a cultura local ajudaria as famílias a apoiar os filhos. Por conveniência, os brasileiros vivem fechados em sua comunidade, quase num mundo à parte. Ao mesmo tempo, vivem de idas e vindas entre Brasil e Japão, no chamado "movimento migratório pendular". Michel Kikumitsu, 17, sentiu na pele o significado desse conceito. Ao todo, ele passou 13 anos no Japão, onde nasceu. A dificuldade em se adaptar à mudança constante de ambiente escolar levou o garoto a, muitas vezes, usar a força para se afirmar perante os colegas. "Eu quebrava cadeiras, jogava mesas no chão. Era bem pavio curto. Mas isso me salvou de sofrer muito com o ''''ijime''''", lembra ele, que agora vive com a mãe e as duas irmãs em São Paulo, onde cursa o segundo ano do ensino médio. Para ser aceito no Japão, Michel usou a habilidade nos esportes - bom de bola, ele sobressaiu nos times de futebol e basquete da escola e conquistou o respeito de colegas e professores. No Brasil, diz que o colégio não oferece as mesmas possibilidades. "Aqui tem poucas atividades para os alunos. Em comparação com a escola japonesa, parece que estou de férias o tempo todo", diz. Michel, que agora fala português com apenas um resquício de sotaque, é atendido pelas psicólogas do Projeto Kaeru (veja quadro ao lado). Agora ele aguarda uma chance para retornar ao Japão, onde pretende trabalhar em fábrica junto do pai. "Não sei o que fazer daqui para a frente. Estou bem perdido", reclama.
Numa fase da vida em que todos querem ser aceitos e sonhar com um futuro promissor, ser perseguido pela diferença e não enxergar perspectivas para a vida adulta são fatores que podem minar o desempenho escolar do jovem e deixar sequelas para sempre. "Precisamos de professores que entendam as diferenças culturais: de língua, de hábitos, de relações interpessoais. Também de profissionais treinados a quem se possa recorrer", afirma Tomiko Nakashita, professora da Universidade de Saitama, que está no Brasil em pesquisa sobre a saúde das crianças brasileiras descendentes de japoneses. No Japão, muitas delas se encontram em situação peculiar frente aos colegas japoneses, com problemas como excesso de peso. Por opção dos pais, muitas vezes por dificuldade financeira, algumas crianças ficam fora do seguro-saúde do governo e têm dificuldade para serem encaminhadas ao médico pelos professores. Quando o assunto é atendimento psicológico, a situação é ainda mais complicada. No Japão, existem poucos psicólogos, tanto que não há graduação nessa área.
Além da escola, o comprometimento das famílias com a educação é fundamental. São os laços firmes com elas que garantem ao jovem a força para lidar com o desafio de se adaptar. Evitam também que casos como o da menina Akiko Uehara voltem a ocorrer.

O dilema da volta
Se a adaptação às escolas japonesas não é fácil, o retorno ao Brasil pode ser ainda mais traumático. A diferença de língua, relações sociais e cultura escolar frequentemente resultam em situações de maus-tratos. "Quando entrei na escola do Brasil pela primeira vez, aos 8 anos, não falava nada de português. Eu era xingado pelas outras crianças, mas não entendia nada - só sabia que era coisa ruim porque o tradutor me falava", conta Michel Kikumitsu. Quando passou um ano no Brasil, durante a 6ª série, Daiane Oshiro conta que, como não compreendia português, o jeito para se enturmar foi beijar vários garotos. Sem se adaptar, ela acabou retornando ao Japão.
A atenção aos alunos chamados de "retornados" é insuficiente. Uma das iniciativas é o Projeto Kaeru, criado em 2008 em parceria com a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Um grupo de cinco psicólogas é responsável por assistir as crianças em escolas públicas. Por ano, são cerca de 500 atendimentos, além de workshops e alfabetização em português feita por voluntários. É pouco, no entanto, para dar conta de toda a extensão do estado de São Paulo. A situação é ainda mais difícil em outros estados, como Paraná e Mato Grosso do Sul, onde as crianças não têm praticamente nenhuma ajuda. "São só ações pontuais, feitas por indivíduos ou escolinhas de japonês. Muitos pais nos pedem ajuda, mas não temos como ajudar", explica a psicóloga Kyoko Nakagawa, responsável pelo Kaeru."O ideal seria que as prefeituras de Brasil e Japão fizessem parcerias para apoiar esses  estudantes. Mas não existe nenhuma tentativa desse tipo", aponta Vinicius Murakami, coordenador de projetos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) em São Paulo.


Uma história de sobrevivência
Quando chegou ao Japão, Rodrigo Igishi, 26, tinha apenas dez anos de idade. Ingressou na escola japonesa sem conhecer as regras e, na época, não havia intérpretes ou outros estrangeiros para ajudar. "Só podia conversar com meu irmão em português", relata. Logo as retaliações começaram. "Colocavam tachinhas na minha carteira e no meu sapato. Escreviam na minha carteira: ''''vá embora pro Brasil!''''", conta. Nos treinos esportivos, foi chutado pelos veteranos por não saber que deveria me dirigir a eles em linguagem respeitosa.
A situação só começou a mudar aos 16 anos. Rodrigo adoeceu com leucemia e ouviu dos médicos que suas chances de sobreviver eram de 50%. "Decidi então que, se sobrevivesse, eu me tornaria professor e lutaria pela educação dos jovens." Dito e feito. O brasileiro passou no concorrido vestibular para uma universidade pública e logo começou a dar aulas de japonês aos brasileiros. Após se formar, conseguiu emprego em uma escola da cidade de Toyota, que concentra muitos imigrantes. Hoje ele se esforça para transmitir aos alunos a importância de valorizar a vida e respeitar a diferença. Aprendeu que ter crescido em meio a duas culturas é um ponto positivo. "Tenho o privilégio de ter uma visão mais ampla que os demais", considera.
Rodrigo diz que o apoio da família foi fundamental para superar o bullying e a doença. "Apesar da correria diária, meus pais sempre me escutavam, davam conselhos e muita, muita força. Nunca me deixaram faltar à escola por causa do ''''ijime''''. Diziam: ''''se você ficar fugindo agora, vai fazer o mesmo a vida toda. Seja forte e veja como pode melhorar''''. Essa postura firme e confiante me dava conforto."

sábado, 22 de junho de 2013


O Senac São Paulo, realizará dia 29 de junho, das 09 às 18h30 o 

5º Encontro Brasileiro de Mediadores - Educação para Vida e para o Trabalho: desenvolvendo competências para o século 21.

Excelente oportunidade para reflexão sobre 
mediação e práticas pedagógicas.
Evento imperdível para todos envolvidos com educação formal, 
profissionalizante e corporativa! 

EVENTO GRATUITO!

Data e Horário: 29/06/2013, das 8h30 às 18h30
Preço: Participação gratuita e aberta ao público. (Necessário fazer inscrição no site do senac)
Local: Senac Consolação -  R. Dr. Vila Nova, 228 -  Centro - São Paulo/SP - Fone: 11.2189-2100

Público-alvo: Pedagogos, Psicólogos, Fonoaudiólogos, profissionais de recursos humanos e educadores em geral.

Inscrições no site do Senac :

Palestra 1: Sociedade do Século 21 - Valores e Princípios - A Importância do Diálogo na Educação.
Data e horário: 29/06/2013 das 9 horas às 9h55
Palestrante: Paulo Ravagnani - Formado em Filosofia e Oratória pela organização Internacional Nova Acrópole. É professor de oratória, conhecimento comportamental e filosofia. 

Palestra 2: Importância da Empatia, Afetividade e Família na Relação Educativa. Que educadores precisamos?
Data e horário: 29/06/2013 das 10h20 às 11h50
Palestrante: Lorenzo Tébar – Licenciado em filosofia e letras, com especialização em psicologia pela Universidade de Barcelona e doutor em filosofia e ciências da educação pela Universidade Nacional de Educação a Distância de Madri. Investiga a teoria da mediação e o perfil do professor mediador, ao lado de Reuven Feuerstein, e a pedagogia da mediação no processo de ensino-aprendizagem. 

Palestra 3: Ciberespaço e a Nova Visão das Práticas Pedagógicas
Data e horário: 29/06/2013 das 11h50 às 12h20
Palestrante: Sandra Maria Dotto Stump - Doutora em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo e docente do programa de pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Palestra 4: O Choque de Gerações no Mercado de Trabalho - O jovem e seu momento atual.
Data e horário: 29/06/2013 das 12h20 às 13 horas
Palestrante: Marcelo Reis Clemente - Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Paulo. É Pedagogo e psicopedagogo clínico e institucional, professor de cursos de pós-graduação, consultor pedagógico e empresarial e palestrante com experiência em treinamento e desenvolvimento de pessoas. 

Palestra 5: Quais as contribuições da Mediação na Formação de Mentes Críticas?
Data e horário: 29/06/2013 das 14 horas às 16h20
Palestrante: Lorenzo Tébar – Licenciado em filosofia e letras, com especialização em psicologia pela Universidade de Barcelona e doutor em filosofia e ciências da educação pela Universidade Nacional de Educação a Distância de Madri. 

Palestra 6: Fechamento e Conclusões - Propostas e Reflexões Construídas com os Participantes
Data e horário: 29/06/2013 das 17 horas às 18h30
Palestrante: Lorenzo Tébar- Licenciado em filosofia e letras, com especialização em psicologia pela Universidade de Barcelona e doutor em filosofia e ciências da educação pela Universidade Nacional de Educação a Distância de Madri. 
Inscrições no site do Senac :
http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC%2Coracle.br.dataservers.ContentEventDataServer18%2CselectEvent&template=946.dwt&event=1730

terça-feira, 14 de maio de 2013

Professor agride aluno de 14 anos

Vergonha!

Nas imagens capturadas por um estudante o professor aparece cercando o aluno, que tenta se proteger atrás de uma mesa. O menino, de 14 anos, corre, mas é encurralado e leva vários socos. O aluno teria sido chamado de gordo durante a aula. Como revide, fez um desenho ridicularizando o professor, que então partiu para a agressão. 




Fonte: Jornal da Band
18 de Maio - Dia Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.